Carta ao meu amor II

Querido amor meu,

O ano virou e lembrei-me de você. Das muitas coisas que ainda estão veladas. Por isso venho e te compartilho o secreto que há em mim, na esperança que você seja um leitor oculto, um vigia das minhas palavras, um sentinela das minhas frases desconexas.

Vim te falar sobre meu coração.
Há alguns anos atrás descobri uma frase que me marcou profundamente. A mesma dizia assim: “Sobre todas as coisas que se devem guardar, guarda primeiro o coração, pois dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23).
Eu, porém, imprudentemente, não ouvi o provérbio da sabedoria eterna e não fiz desse coração um tesouro. Como um diamante bruto aos olhos de um leigo, não compreendi a profundidade do conselho que me foi dado, ou do coração ou da vida. E dessa forma, entre mocinhos e bandidos, me deixei brincar, roubei e me deixei roubar, sentimentos, desejos e afetos.
E as fontes da vida pareciam já ter gosto de frustrações e solidões.

Estou te falando sobre isso para que entenda, que todos nós carregamos conosco as tatuagens que são feitas na alma. Todos os dias, todos os momentos. Por um lado, talvez seja triste, pois não podemos mudar o passado. Mas olhando de um ângulo melhor, compreendemos que se estamos aptos a mudar constantemente, nossa sorte pode virar conforme o que vamos escrever no decorrer da caminhada. E eu escolho tatuar felicidade.

Não é negar nenhum passado, muito menos afirmar que ele jamais virá a tona… Pelo contrário, ele está aqui visível e presente nos meus olhares e gestos. Mas é também não negar a beleza de um futuro desenhado no presente.

Querido amor meu, eu decidi guardar o meu coração e preciso dizer-te que hoje ele não está disponível. Não, ele não tem nenhum dono, apenas eu mesma. Também preciso alertar-te que ele não será teu jamais. Mas está ao cuidado do meu Salvador, especialista em cuidar do ferido e quebrantado. Se Ele é quem mais entende de coração, se Ele próprio é o Doador da Vida e Senhor de todo o tempo e sabedoria, sei que jamais poderia falhar em guardá-lo.

Não quero que saia dalí. Não desejo que esteja longe desse Lugar Seguro.

Esse é o caminho para poder me encontrar.

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